Ecologia, a contrapartida da Economia

por Alfredo MR Lopes*

Em sua célebre aula inaugural de instalação da Cadeira de Semiologia no Colégio de Franca, o filósofo francês, Roland Barthes, recorreu à relação entre literatura e poder, para ilustrar o mecanismo de imposição dos valores, verdades e paradigmas de conduta adequadas ao status quo. A Aula, como é conhecida a publicação, diz que “…a linguagem não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente fascista; pois fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer.”.

Ora, a que poder se referem, ou que objetivos norteiam as constantes agressões de alguns segmentos da mídia à economia da Amazônia Ocidental, sob influência da Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus. Que papel essa mídia pós-digital, instantânea e invasiva, outrora chamada de quarto poder, a ex-famigerada grande imprensa, continua a cumprir? Sua estratégia de poder, enquanto manifestação maior da dominação real, ainda se estriba no trunfo milenar de ser anúncio e denúncia de uma conceituação da realidade que lhe convém.

Desconfigurada e obrigada a criar saídas para a própria sobrevivência – posto que seus trunfos foram compartilhado por inúmeros sujeitos, alguns mais ágeis na dominação digital do saber, resta-lhe, segundo Barthes, a opção de engendrar o erro, disseminar a culpa no destinatário definido e se constituir em saída messiânica para os embaraços artificiais.

Nos ataques constantes à economia regional, o argumento fundamental é responsabilizar os 8% de isenção atribuídos aos estados da Amazônia Ocidental, como causa do rombo fiscal do país. Contem outra, pois essa distorção está baseada em desinformação propositada e destrutiva, com foco na Zona Franca de Manaus.

Ali, renúncia fiscal não passa de fake news. Trata tão somente do exercício público do direito constitucional da contrapartida fiscal para investimentos em áreas remotas com infraestrutura deficitária. As empresas escapam de algumas cangalhas tributárias, mas remuneram melhor seus trabalhadores, recolhem mais vantagens fiscais para a União que as demais plantas industriais do Brasil, além de protegerem um patrimônio natural essencial ao equilíbrio climático.

Entretanto, não cabe ficar repetindo a cantilena. A Receita Federal e instituições com o gabarito da FEA-USP já emprestaram sua reputação para confirmar essa afirmação.

Está na hora de dar um passo adiante, além de ironizar os fundamentos dessa perseguição sem sentido.

Um passo simbólico e importante será a realização do I Congresso de Gestão da Amazônia, que ocorrerá neste primeiro semestre, com a chancela da CAPES/FINEP, como parte das atividades do Doutoramento em Administração entre USP e UEA, a Universidade do Estado do Amazonas, paga integralmente pela indústria de Manaus, e empenhadas no enfrentamento do nosso maior gargalo: a ausência de gestores do enigma amazônico. “Decifra-me ou serei devorada”.

Inovação, Sustentabilidade e Governança será o tema do evento e o tripé de sustentação dessa saída, tanto da parceria entre as duas instituições acadêmicas, UEA e USP, como um palpite para o Brasil sair do buraco do burocratismo sombrio e amoral das gestões históricas que nos empurraram ao caos.

A contrapartida fiscal supera os 2 milhões de empregos gerados pelo país afora, a substituição de importações, vital para equilíbrio da balança fiscal, a proteção florestal e os serviços ambientais.

As empresas instaladas em Manaus passam a exigir que os fundos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e aqueles destinados a interiorizar o desenvolvimento ano, sejam aplicados na região e nas oportunidades de novos negócios, com governança pública inteligente, inovação tecnológica e com parâmetros claros de sustentabilidade.

Economia passo a passo com a ecologia, como tem de ser.

*Alfredo Lopes é filósofo e ensaísta – alfredo.lopes@uol.com.br

Acesse os outros sites da VideoPress

Vida Moderna
Portal VOIT

Pavimentação que dura quatro décadas é testada pela USP

Asfalto "longa vida" tem dois tipos de aço na composição
Asfalto “longa vida” tem dois tipos de aço na composição

Estudos feitos pela Universidade de São Paulo (USP) avançam na criação de um modelo de pavimentação que tem o dobro de vida útil do convencional. A nova fórmula de massa asfáltica, que tem na composição dois tipos diferentes de aço, quatro tipos de concreto e dois tipos de cimento, pode ficar até 40 anos sem manutenção. O material é desenvolvido para aguentar o tráfego de veículos pesados como rodovias, aeroportos e corredores de ônibus.

Na pista-teste, no campus da USP no Butantã, pesquisadores pavimentaram um trecho de 200 metros. A pista fica paralela à raia da USP, perto da Portaria 2. Pelo local circulam carros e ônibus. O trecho, sem juntas como o pavimento de concreto convencional, aumenta o conforto e segurança ao dirigir e também reduz custos com desgaste dos veículos. Pesquisas semelhantes vinham sendo desenvolvidas pela USP usando uma variedade menor de materiais em trechos mais curtos.

A pista-teste fica paralela à raia da USP, perto da Portaria 2, um trecho no qual circulam carros e ônibus coletivos. Uma de suas inovações é o fato de ser um longo trecho sem juntas como o pavimento de concreto convencional, o que aumenta o conforto e a segurança ao se dirigir, além de reduzir os custos com o desgaste dos veículos. Até agora a Poli tinha feito pesquisas semelhantes usando uma variedade menor de materiais e em trechos mais curtos, os quais, tecnicamente, não precisam de emenda.

A pavimentação dos 200 metros de pista foi feita com 26 caminhões de concreto de sete metros cúbicos cada. Ela foi dividida em trechos, cada um com combinações diferentes de materiais. Dos quatro tipos de concretos que estão sendo testados, dois têm agregados reciclados. Metade da pista utiliza aço comum e a outra, aço galvanizado. Além disso, os pesquisadores da Poli estão trabalhando com dois tipos diferentes de cimento, um produzido no Sul do Brasil e outro no Sudeste.

A pista deve ser liberada para o tráfego no final de fevereiro. Os pesquisadores querem entender como as fissuras ocorrem no concreto. Equipamentos de mensuração serão instalados em campo e amostras serão testadas em laboratório. A intenção é analisar as fissuras provocadas no calor e no frio. Também serão feitas provas de carga para avaliar o comportamento do concreto armado.

Durabilidade
A pavimentação asfáltica dura cerca de dez anos. Já uma feita em concreto convencional pode chegar a 20 anos e, uma em concreto armado, como a testada, pode chegar a quatro décadas. “O Brasil é um país essencialmente rodoviário e carente de soluções de alta durabilidade. Precisamos de pavimentos mais robustos em grandes rodovias e que demandem pouca manutenção”, aponta o professor José Tadeu Balbo chefe do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) e do Laboratório de Mecânica de Pavimentos (LMP), coordenador da pesquisa.

O concreto já é usado no Brasil para a pavimentação, mas o custo limita…[MAIS]

7,4 milhões se deslocam para cidades vizinhas por trabalho ou estudo

UFRP criou linhas para deslocamentos intercampi
UFRP criou linhas para deslocamentos intercampi

Viajar até cidades próximas para o trabalho ou estudo é uma rotina para 7,4 milhões de brasileiros, segundo o estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só em São Paulo, mais de um milhão de habitantes vivem essa realidade. A intenção do estudo é fornecer subsídios para a elaboração de políticas públicas.

Segundo o diretor e especialista em trânsito da Perkons, Luiz Gustavo Campos, é possível planejar ações regionais focadas no deslocamento entre as cidades. “Se o percentual é tão expressivo, é preciso entender quais são as necessidades para melhoria do trajeto, investir em ações de conscientização para que os carros sejam mais bem ocupados com carona solidária e dar condições para que essas pessoas possam utilizar o transporte coletivo. A pesquisa serve para os governos refletirem sobre a necessidade de planejamento regional, o que pode melhorar a mobilidade, implantando infraestrutura que permita conexões com maior agilidade”, sugere.

O urbanista Ricardo Corrêa cita como exemplo de gestão eficiente do tráfego a Holanda, país que funciona em grande parte como uma cidade com conexões que permitem a integração…[MAIS]