3º Congresso Brasileiro de Sprinklers priorizou vários temas importantes

A 3ª edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers (CBSpk), que aconteceu  entre os dias 23 a 26 de outubro, no Bourbon Atibaia Convention & Spa Resort, em Atibaia, São Paulo, abordou como tema principal a inspeção, teste e manutenção dos sistemas de chuveiros automáticos.

A ABSpk – Associação Brasileira de Sprinklers, responsável pela realização do evento, reuniu, durante os quatro dias, 180 profissionais atuantes no combate e prevenção a incêndios de diversos países para trocar experiências e conhecimentos com o objetivo comum de salvar vidas e patrimônios, concluindo que sistemas de sprinklers são protagonistas para evitar tragédias.

“Sistemas de sprinklers bem instalados, inspecionados e mantidos regularmente dificultam a manifestação de incêndios. Por isso, nosso intuito é conscientizar os profissionais do setor que esses procedimentos devem fazer parte de sua rotina de trabalho”, declara Felipe Melo, Presidente da ABSpk.

Os dois primeiros dias do Congresso foram dedicados à capacitação técnica dos congressistas. Ao todo, 140 profissionais foram treinados nas normas NBR 17505 (proteção de depósitos de líquidos inflamáveis), NFPA 25 (inspeção, teste e manutenção de sistemas hidráulicos de proteção contra incêndios), NFPA 20 (bombas de incêndio), além de aprofundarem seus conhecimentos no cálculo hidráulico para dimensionamento de sistemas de sprinklers com uso do software SprinkCalc.

“Nessa edição, ficamos muito satisfeitos com a grande procura pelos cursos técnicos. No total, treinamos o equivalente a 15% a mais de pessoal em relação à segunda edição do Congresso”, comenta Melo. Segundo o executivo, o aprofundamento nas normas relacionadas aos sprinklers é fundamental para garantir a instalação e manutenção de produtos confiáveis e de qualidade, que funcionem quando precisarem ser acionados.

Nos dias 25 e 26, a programação do evento foi recheada de apresentações e debates sobre tendências, novas tecnologias, atualização e impacto das normas, legislação, processo de certificação, instalação e manutenção de projetos, e cuidados necessários para manter patrimônios históricos.

Diana de Araújo, diretora financeira da ABSpk e sócia da empresa Tecfire, abriu oficialmente o evento apresentando os resultados de uma análise feita em cinco galpões logísticos e cinco edifícios comerciais em São Paulo ao longo de seis meses de 2018. Com apoio da International Fire Suppression Alliance (IFSA), o objetivo do estudo foi entender as possíveis causas de falhas dos sistemas de sprinklers, no caso de incêndios, partindo do princípio que todos os projetos eram bem elaborados e contavam com uma boa instalação.

Sete aspectos considerados fundamentais para o bom funcionamento dos sprinklers foram avaliados: procedimentos de inspeção, reservatórios do sistema de incêndio, bombas de incêndio, sinalização e alarmes, válvulas, condições gerais dos sprinklers e das tubulações, e os impactos da falta de energia.

“Estatísticas mostram que 80% dos casos de ocorrência de incêndios em que a edificação conta com sistemas de sprinklers, o fogo se alastrou por conta de válvulas fechadas ou bombas que não funcionaram. Nesse estudo, queríamos evidenciar esses episódios e colaborar com propostas de soluções”, declara Diana.

Embora a amostragem tenha sido pequena para uma cidade do tamanho como São Paulo, as principais conclusões destacadas foram que tanto os edifícios comerciais como os galpões apresentaram condições precárias de manutenção. Essa constatação é resultado de uma legislação não rigorosa o suficiente em termos de ITM (inspeção, teste e manutenção) para esses tipos de edificações.

Outro ponto agravante observado foi em relação à brigada de incêndio, que sabe manusear os equipamentos, mas não sabe fazer a manutenção dos mesmos. Além disso, a brigada entende que a equipe de manutenção é responsável pelos procedimentos que se referem a incêndios e vice-versa.

Esse jogo de “empurrar” a responsabilidade para o outro acaba resultando em uma manutenção deficiente dos sistemas de sprinklers. E, como se não bastasse, durante os seis meses de inspeção, os dez empreendimentos estudados trocaram suas equipes, o que desfavorece as tarefas de manutenção.

Diante das conclusões evidenciadas, a ABSpk propôs a criação e distribuição de uma cartilha explicativa mostrando como inspecionar, testar e manter os sistemas hidráulicos de proteção e combate a Incêndio. “Nosso lema é Proteger Faz Diferença e para isso, vamos unir forças para trabalhar a prevenção de incêndios no Brasil. Juntos, conseguimos contribuir e alcançar muito mais”, diz otimista Melo.

Aspectos Jurídicos
Um tema de relevante importância abordado pela primeira vez no evento foram os aspectos jurídicos da responsabilidade civil e criminal de projetistas, instaladores e usuários de sistemas de sprinklers. Para debater o tema, o procurador José Carlos de Freitas, da Procuradoria da Justiça de Direitos Difusos e Coletivos, esclareceu que vários atores têm sua parcela de responsabilidade no caso de um incêndio.

Segundo o procurador, o artigo #186 do Código Civil determina que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.

Em se tratando da cadeia produtiva envolvendo sprinklers, são responsáveis os fabricantes e distribuidores de dispositivos de má qualidade e não certificados; as empresas que, para reduzir custos, adquirem tais equipamentos; os instaladores tecnicamente não capacitados que prestam um serviço de forma irresponsável; os Conselhos de Engenharia e Arquitetura, que deveriam ser encarregados de vistoriar as obras; e até o Corpo de Bombeiros, responsável por fiscalizar edificações e áreas de risco.

“Precisamos garantir que haja uma forte aliança entre os Corpos de Bombeiros e os órgãos de certificação e normativos a fim de criar uma lei de certificação. Só assim, daremos um salto de qualidade”, aponta Freitas.

Certificação
Em linha com as afirmações de Freitas, Felipe Decourt, Diretor Executivo da Skop e Presidente do Conselho Deliberativo da ABSpk reafirmou a importância da instalação de sprinklers certificados nas edificações, ressaltando que a confiabilidade dos bicos deve variar entre 99,4% e 99,76% para que os sistemas consigam conter um incêndio.

E, para garantir tal índice, os sprinklers de fabricação nacional passam por cerca de 150 processos durante sua produção, sendo 20% deles fabris e os 80% restantes relacionados ao controle de qualidade, também conhecido como qualidade invisível, que inclui o uso de ferramentas, insumos, equipamentos e instrumentos de medição adequados, usinagem de boa qualidade e torque de fechamento adequado durante a montagem, entre outros.

“A qualidade “invisível” é um dos problemas mais sérios e comuns encontrados nos sprinklers sem certificação. Esses critérios só são testados por entidades certificadoras e pelos ensaios de normas sérias como FM2000, UL199, ISO6182 ou ABNT16400.

Legislação em Patrimônios Históricos
Outro painel que chamou muito a atenção dos presentes durante o Congresso foi o de Edificações Históricas. Isso porque muito se discute a respeito das recentes tragédias que vivenciamos nos últimos anos, como o Museu Nacional, em setembro desse ano, o Museu da Língua Portuguesa, em 2015, o Liceu de Artes e Ofício de São Paulo, em 2014, o Instituto Butantã, em 2010, e o Memorial da América Latina, em 2013.

Dentre esses e tantos outros edifícios incendiados, apenas o Memorial da América Latina tinha sistemas de sprinklers instalados, mas que não funcionaram por falta de manutenção adequada.

O desafio atual, inclusive discutido pelo setor, é tomar como verdade alguns mitos, como por exemplo, que a água é prejudicial para a contenção de fogo em edifícios históricos porque pode destruir os acervos neles armazenados. Ou ainda que a água danifica, quando na verdade, controla.

“Essas conclusões sem fundamento estão atrapalhando muito para o avanço da legislação. A água não pode ser e não é mais prejudicial do que o fogo que se alastra rapidamente e acaba com o patrimônio todo em minutos. Bens culturais, como livros e telas de pintura podem ser restaurados em caso de acidentes com água; com o fogo, eles são totalmente destruídos”, afirma Marcelo Lima, Diretor Geral do ISB, Instituto Sprinkler Brasil.

Segundo Lima, nenhum outro país no mundo entende a água como um elemento causador de danos em acervos históricos. Além disso, o executivo comenta que 90% dos casos de incêndios são salvos com apenas três bicos de sprinklers, ou seja, pouca água.

Na visão de Lima, algumas sugestões devem ser adotadas para resolver essa questão o mais breve possível, entre elas a criação de uma norma ABNT técnica única e abrangente, com base na NFPA 909, código responsável pela proteção de bens culturais.

Além disso, a Frente Parlamentar mista de segurança contra incêndio deve continuar fortalecendo seus eixos de atuação, a fim de criar um novo modelo regulatório.

E, por último, mas não menos importante, é preciso capacitar e treinar museólogos, arquitetos, engenheiros, conservadores de acervos, e demais envolvidos em edifícios históricos, mostrando a importância dos sprinklers nessas edificações.

A próxima edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers acontecerá em 2020, ainda sem local definido.

2º Congresso Brasileiro de Sprinklers discutiu os principais assuntos do setor

Ele é visto como o principal evento direcionado ao segmento na América do Sul

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A cidade do Rio de Janeiro sediou entre os dias 25 e 28 de outubro a 2º Edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers (CBSpk), realizado no Windsor Barra Hotel, organizado pela Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk).

Cerca de 200 congressistas puderam atender às certificações técnicas e conferir as apresentações de 25 palestrantes sobre as atuais e futuras tecnologias de sprinklers, o estágio da legislação e regulamentação do Brasil para os sistemas de proteção e combate a incêndios, os desafios técnicos que envolvem projetos e instalações dos chuveiros automáticos e, ainda, conhecer os fabricantes do mercado e compartilhar melhores práticas. Prestigiaram também o evento representantes de Corpos de Bombeiros de sete Estados brasileiros, as entidades equivalentes à ABSpk no México e Colômbia e 16 empresas expositoras.

“Tínhamos o desafio de reafirmar o CBSpk como principal evento direcionado ao segmento na América do Sul, e conseguimos. Crescemos 15% em relação à primeira edição, realizada em 2014. O evento também serviu para promover a importância, o valor e a confiabilidade dos sistemas de sprinklers e fomentar a correta aplicação dos dispositivos pela cadeia produtiva” conta João Carlos Wollentarski Júnior, Diretor Presidente da ABSpk.

Capacitação técnica
Nos dias 25 e 26 os participantes dedicaram-se à capacitação técnica, aprendendo com especialistas nacionais e internacionais da International Fire Sprinkler Association (IFSA) e National Fire Sprinkler Association (NFPA).

Eles aprofundaram seu conhecimento em normas, além de conhecer mais sobre cálculo hidráulico, softwares para dimensionamento e técnicas de proteção em áreas de armazenagem com sistemas de sprinklers. “Certificamos cerca de 45 pessoas em cada uma das normas NFPA 20 e 25, e 55 profissionais nos cursos de cálculo hidráulico e software para dimensionamento dos sistemas de sprinklers”, afirma Wollentarski.

Os dois últimos dias foram pautados por painéis, debates e palestras sobre o mercado de sprinklers; legislação e regulamentação; tecnologias; certificações; iniciativas para disseminar o uso dos dispositivos; ações para aprimoramento de normas, e outros.

Foto VicentinhoO Deputado Federal Vicentinho (foto), que lidera a Frente Parlamentar mista de segurança contra incêndio, esteve presente na abertura do evento, comentando sobre os esforços da Frente. “A Frente tem como objetivos criar uma lei nacional de segurança contra incêndio, fornecendo diretrizes para os Corpos de Bombeiros Militares; garantir a certificação dos produtos; disponibilizar cursos técnicos e de nível superior para a formação de profissionais de prevenção a incêndios, e reunir e divulgar estatísticas sobre incêndios no Brasil”, detalhou Vicentinho. Até o momento, 204 senadores e deputados federais já assinaram o documento.

A iniciativa da Frente Parlamentar vai ao encontro com o discurso de Felipe Decourt, Diretor Vice-Presidente da ABSpk. Decourt ressaltou, durante sua apresentação, a importância de três pilares para a garantia de um mercado confiável no que se refere à segurança contra incêndios: norma técnica, certificação e legislação. “Hoje o cliente adquire sprinklers e acha que está seguro, mas não está. Por falta de legislação, há uma enxurrada de bicos sem certificação no mercado, que apresentam risco de não funcionar quando for preciso.

Certificação
Com o tripé norma técnica associada à certificação e a uma legislação eficaz, ainda que o consumidor não seja especialista em sprinklers, ele estará seguro, pois fará a escolha entre dispositivos confiáveis. O mercado evoluirá à medida em que tiver que atender à legislação e ao padrão técnico e de qualidade apresentado na Norma e exigido pela Certificadora”, diz o executivo.

Aliás, a ausência de leis que tornem mais rigorosas as obrigatoriedades com relação à segurança é que o mais incentiva a importação de sprinklers sem certificação. Felipe Melo, Diretor Financeiro e Coordenador do Comitê Técnico da ABSpk comentou que “desde 2008, o mercado brasileiro cresceu muito na importação de sprinklers. Só em 2013 foram importadas 1,5 milhão de unidades, e 45% desse volume eram sistemas sem certificação. Este ano, os não certificados representam 75% do volume total importado”.

O tema “sprinklers sem certificação” foi marcado também pela apresentação dos resultados de um estudo feito pela IFSA com amostras provenientes de duas instalações no Estado de São Paulo. Um total de 486 sprinklers, todos sem certificação, foram submetidos à verificação de 36 itens. Os dispositivos retirados foram substituídos por produtos certificados e levados pela IFSA para a realização dos testes nos EUA. Eles foram submetidos a nove testes de desempenho, nenhum considerado crítico, e reprovados em sete. “Os sprinklers do Brasil apresentaram índice de falha de 47,5%, número inaceitável, quando o máximo permitido pelas certificadoras UL e FM Approvals é de menos de 1%”, diz Russ Fleming, Diretor Geral da IFSA.

Desafios
Outro destaque que prendeu a atenção dos congressistas foi a apresentação do Cel. Cássio Armani, subcomandante do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo, que relatou os desafios no combate a incêndios de edificações históricas, ilustrando sua narração com o caso do Museu da Língua Portuguesa, incendiado em dezembro de 2015.

O incêndio, supostamente iniciado pelo superaquecimento de um equipamento elétrico, se alastrou por três pavimentos dos quatro do edifício, atingindo uma área de 3200m2, e foi combatido com 350 mil m3 de água. O tempo de controle do incêndio foi de seis horas, porém, os bombeiros permaneceram no local por 20 horas para dar a ocorrência como encerrada. “Felizmente, o museu tem um acervo digital extenso e todo com backup, então a perda do acervo não foi tão danificada. Entretanto, equipamentos de projeção, alto faltantes e tudo que havia de madeira no prédio foi perdido, além de um bombeiro ter perdido sua vida”, concluiu o Cel. Armani.

O Congresso promove a importância, o valor e a confiabilidade dos sistemas de sprinklers, fomenta a correta aplicação dos dispositivos por toda a cadeia produtiva e auxilia no desenvolvimento de uma rede de fornecedores confiável e segura.