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O que fazer quando seu carro é reprovado na vistoria após o conserto?

O que fazer quando seu carro é reprovado na vistoria após o conserto?

by 28 de agosto de 2015 1 comment
Nigro dá dicas sobre vistoria de veículos após conserto

Nigro dá dicas sobre vistoria de veículos após conserto

Por Luís Eduardo Nigro* – Inúmeros proprietários de veículos envolvidos em acidentes automobilísticos, no momento da venda ou contratação/renovação do seguro, são surpreendidos com a reprovação na vistoria cautelar. Normalmente a reprovação acontece em virtude do péssimo serviço realizado pela oficina ou quando peças estruturais do carro foram atingidas e deveria ter sido atribuída perda total quando da análise inicial dos danos. Por isso, recomenda-se que proprietários de veículos que se envolveram em acidentes façam um laudo de procedência em uma empresa especializada logo após o conserto ou antes de adquirir um veículo usado para evitar que o bem seja desvalorizado ou rejeitado no mercado ou não seja aceito pelas companhias de seguro.

Quando o veículo possui seguro ou é incluído como terceiro na apólice do causador do acidente o mesmo passa por duas vistorias: a primeira é a denominada ‘vistoria de imagem’, que é a realizada com o veículo batido. Após ser consertado, um representante da seguradora realiza uma inspeção dita ‘vistoria de qualidade’ na qual aprova ou não o serviço realizado pela oficina, normalmente credenciada/referenciada. Porém, esses laudos não têm validade para compradores e lojas/concessionárias de veículos.

No momento de comprar um veículo usado ou como condicionante para aceitá-lo na troca, compradores e lojistas exigem, como garantia de um bom negócio, um laudo elaborado por empresas especializadas em vistorias automotivas que atestem a qualidade do veículo. Por isso, mesmo que o veículo seja aprovado pelo representante da seguradora, é importante solicitar essa avaliação. Do contrário, acontecerá o mesmo que ocorreu com vários de meus clientes: somente ao tentar trocar de carro são surpreendidos com a reprovação, perdem o negócio e ainda são taxados de desonestos.

Cada empresa possui uma forma de elaboração do laudo, mas em regra os mesmos apresentam as seguintes conclusões: veículo aprovado (o qual se encontra em perfeitas condições), aprovado com ressalvas e, por fim reprovado, o qual foi submetido a significativas intervenções que demonstram um péssimo serviço realizado e/ou problemas em peças estruturais e ainda provável dificuldade em ser aprovado em vistorias prévias de companhias seguradoras.

Quando o veículo apresenta problemas após o conserto, denominados vícios ocultos, e é reprovado no laudo, o proprietário tem o prazo de 90 dias para ajuizar ação contra a oficina e/ou a seguradora, caso tenha autorizado o conserto em oficina referenciada.

Vale destacar que nos casos em que existe seguradora na relação, a empresa é solidariamente responsável pelo péssimo serviço realizado. Do mesmo modo, se o proprietário vende o veículo denominado no mercado de ‘carro bomba’ a um adquirente de boa-fé e este, no momento de segurar o veículo ou de vendê-lo, descobre o vício, poderá exigir do vendedor a devolução do valor que pagou devidamente atualizado e ainda a condenação em danos morais. Logo, o ideal é que o proprietário do veículo tome as medidas judiciais para receber os prejuízos diretamente de quem lhe causou os problemas.

* Luiz Eduardo Nigro é advogado especialista em Direito Securitário

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  1. Dario Filho
    #1 Dario Filho 18 janeiro, 2016, 16:48

    Dr. Luis E. Nigro, parabéns pela matéria elucidativa. Está acontecendo algo assim comigo. Tive meu veículo sinistrado, Dobló 2009, em 2012. Um caminhão de pequeno porte me fechou em cruzamento proibido em Guarulhos. A seguradora Marítima não deu Perda Total e encaminhou o veículo para conserto etc. E agora, em 2016 fui vender o veículo através da Itavema, à base de troca por um mais novo, que pediu laudo completo (empresa Supervisão), onde foi reprovado. Então, o meu veículo que já estava subdimensionado, (a Itavema ofereceu R$ 25.000,00 à base de troca…A tabela FIPE atual é de 30.900,00) praticamente não tem mais valor de mercado. Pergunto a quem devo recorrer? Liguei para a Oficina (que tem um profissional da Marítima lá dentro) e ela disse que eu deveria questionar a Seguradora. O que o senhor acha? E quanto ficaria em média as custas deste caso. A dobló que eu estava negociando com a Itavema de Guarulhos estava no valor de R$ 46.800,00. Abraços, Dario Filho.

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