Negócio sobre rodas é saída para escapar da crise

Negócio sobre rodas é saída para escapar da crise
Food trucks têm sua origem no auge de crise norte-americana

Food trucks têm sua origem no auge de crise norte-americana

O desemprego sonda a porta de muitas famílias em 2016 por conta da economia fragilizada, agravada pela crise no cenário político. Inovar é palavra de ordem para muita gente que precisa garantir a renda necessária para arcar com as despesas do lar. E a economia criativa, em muitos casos, é a porta de saída para este momento conturbado. Na onda dos food trucks, muitos brasileiros encontraram uma forma promissora de empreender.

Segundo o Sebrae, vender alimentos em veículos já é uma realidade para 2% da população brasileira. Um nicho altamente rentável, que movimentou R$ 140 bilhões em 2014, conforme levantamento do Ibope Inteligência.

Outra pesquisa, feita pela empresa Mintel, procurou saber de que forma o brasileiro gasta algum dinheiro extra de seu salário. Para 28% dos respondentes, comer fora é a melhor forma de usar o dinheiro restante. Em outro estudo que sustenta a tese de que o food truck é uma boa escolha para quem sonha em ter o próprio negócio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que 31,1% dos gastos de famílias brasileiras são com alimentação fora de casa.

Da origem à sua evolução, os food trucks tiveram seu auge em momentos parecidos com os que o brasileiro enfrenta atualmente. Nos Estados unidos dos anos 1860, o texano Charles Goodnight servia refeições para tocadores de rebanho em um caminhão militar adaptado. Já nos dias atuais, americanos e europeus foram obrigados a fechar as portas de seus restaurantes. A opção encontrada foi vender comida na rua, só que dessa vez, agregando valor e oferecendo pratos da alta gastronomia, no entanto, a preços inferiores aos praticados em estabelecimentos convencionais.

De volta ao Brasil, são muitas as histórias de gente que se deu bem embarcando na onda dos food trucks. É o caso de franqueados do Food Truck “Los Cabrones”, que com um investimento de R$ 67 mil podem ter um faturamento mensal de R$ 45 mil. Ou da nutricionista Bruna Gomes, que investiu R$80 mil em churros, guloseima muito popular em Santos, sua cidade natal. Hoje ela administra e põe a mão na massa nos dois carrinhos da “Chucrê: Churros Gourmet” e vende uma média de 800 doces por domingo.

Transformação
Desde o recente boom dos food trucks no Brasil, uma infinidade de outros setores começa a oferecer serviços e produtos em negócios sobre rodas. Sejam os tradicionais lanches gourmet até a famosa paleta mexicana, a inspiração para abrir um negócio fora de um ponto convencional tem sido o motor para reinventar e escapar do momento conturbado do cenário econômico e do fantasma do desemprego.

Com uma boa ideia, criatividade e, obviamente, um veículo, brasileiros já migraram para vans, furgões e até caminhões serviços de barbearia, maquiagem e até tatuagem. Os produtos também variam de pães a vinhos, ou linhas de beleza.

Mercado de cosméticos também ganhou rodas

Mercado de cosméticos também ganhou rodas

A necessidade de ampliar a divulgação de sua marca de cosméticos para mais consumidores levou dois jovens empreendedores a investir na modalidade itinerante. Jonas Muniz, 23 anos, e Victória Romano, 22, criaram o Fashion Truck Hey Pretty, que já faz sucesso na Região Metropolitana de São Paulo. “O que nos estimulou foi a possibilidade de ter um contato bem mais direto com nossas consumidoras e fazer parte de seu momento de lazer, estando presente em festas, eventos e feiras, circulando por diferentes lugares e mostrando nossos produtos para mais garotas, o que torna tudo muito divertido”, destaca Victória.

Nas prateleiras do veículo, que chama a atenção pelo visual predominantemente pink, clientes encontram maquiagens, cremes, batons, pigmentos, sombras e hidratantes, tudo o que é indispensável para a beleza feminina e que têm alta procura. Por serem de fabricação própria os produtos são oferecidos a preços competitivos, que variam de R$ 32 a R$ 75. “Teremos sempre muitas novidades. Todos os nossos produtos são de fabricação própria e foram pensados para meninas que se amam e querem estar cada vez mais lindas”, completa a sócia do empreendimento.

Aqui é caveira!
A badalação da comida de rua e a liberdade de atuar num negócio dentro do que mais gostam, de cozinhar, levou três amigos a investirem em um food truck especializado em pizzas. Em abril de 2014, as chefes de cozinha Thalita Cancian, 30, e Juliana Moreira, e o publicitário Raphael Corrêa, 32, davam a partida no Massa na Caveira.

Massa na Caveira: Três amigos e uma receita de sucesso

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De lá para cá, o furgão não para de circular. A rota principal é a zona norte paulistana, onde a cozinha base está instalada e todos os sócios e colabores moram. Mas as visitas também se estendem para outras regiões da capital e para também para o litoral.

O food truck, que faz alusão ao filme Tropa de Elite, foi uma ideia acertada, na avaliação de Corrêa. “No primeiro ano tivemos um bom faturamento, que se estabilizou no segundo ano estabilizado, normal para qualquer novo negócio. Ainda que com todos os problemas econômicos enfrentados no Brasil, excepcionalmente nos últimos anos, o cenário permanece favorável para aqueles que fizerem um bom trabalho, tanto nas ruas, como também fora delas”, afirma.

Os obstáculos também existem, mas não desanimam o trio. De acordo com o publicitário, o que mais dificulta o trabalho em um food truck são as obrigações burocráticas exigidas para se ter uma empresa em atividade no Brasil.

Com relação à customização da pizzaria móvel, o trio não enfrentou grandes dificuldades. “Sempre fomos muito bem instruídos durante o processo e tivemos o prazer de encontrar excelentes profissionais durante o caminho. A empresa que customizou nossos trucks foi importantíssima para o resultado que colhemos no dia a dia. Desde a elaboração do projeto de adaptação do veículo a posteriores consultorias gratuitas de procedimentos para legalizar o trabalho junto a órgãos do governo”, afirma.

E para quem pensa em ter um food truck para chamar de seu, Corrêa dá a dica. “Em primeiro lugar, uma dica para qualquer pessoa que deseja montar seu próprio negócio: planejamento do negócio é tudo, seja qual for o ramo que você deseja atuar”, destaca. “Especificamente sobre rodas, não esquecer que você será um prestador de serviço de alimentação. Todos os cuidados necessários para esta prática e habilidades técnicas de operação, serão altamente cobrados de vocês nas ruas”, acrescenta.

Série
O Radar Nacional lança nesta sexta-feira uma série sobre negócios sobre rodas. Na próxima semana, o leitor confere como é feita a customização de um truck business.

Acesse os outros sites da VideoPress

Portal Vida Moderna – www.vidamoderna.com.br

Portal VOIT – www.voit.com.br

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