Como a tecnologia pode reduzir o custo dos acidentes de trânsito

Como a tecnologia pode reduzir o custo dos acidentes de trânsito

Por Paulo Santos*

Paulo Santos

Os acidentes de trânsito têm um custo alto para os brasileiros. Segundo cálculos divulgados no mês de Novembro pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, com base em dados oficias de 2014 (que são os mais atuais disponíveis), o Brasil perdeu R$ 56 bilhões com a violência no trânsito. Esse dinheiro seria o bastante para construir 28 mil escolas de Educação Básica.

Considerando os últimos 5 anos de dados disponíveis, esse montante chegaria a quase R$ 250 bilhões, ou mais de 8 mil hospitais. Durante o recente feriado de Proclamação da República, a Polícia Rodoviária Federal registrou 1.519 acidentes, com centenas de vítimas. E em breve teremos um fluxo intenso de veículos nas rodovias para as festas de fim de ano, recomeçando todo o ciclo em 2017.

Além das campanhas de conscientização e dos radares de controle de velocidade, algumas novas tecnologias podem trazer um impacto positivo sobre essas estatísticas nos próximos anos. De olho nessa diminuição no número de acidentes, o Governo determinou que os novos trechos de rodovias cedidos à iniciativa privada devem obedecer a algumas exigências específicas no que tange à tecnologia de videomonitoramento.

Em termos práticos, a resolução n° 3576 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) determina que novas concessões de rodovias adotem câmeras de alta definição capazes de informar a localização do acidente e a mobilização do atendimento adequado. Essa tecnologia, conhecida como Detecção Automática de Incidentes, alerta sobre veículos parados ou em sentido contrário, além da presença de animais ou pessoas cruzando a pista em local proibido.

Quando esses eventos ocorrem, os operadores recebem um alerta automático na central de operações, e podem verificar se o carro parado precisa de assistência, ou se envolveu num acidente, ou se está realizando manobras perigosas. Essa detecção automática também pode agilizar o tempo de resposta a um incidente e permitir o deslocamento de recursos (como ambulâncias) segundo a real gravidade dos fatos.

Uma das concessionárias que já adotou o sistema é a Ecovias, em São Paulo. Há mais de 10 anos, o sistema de Detecção Automática de Incidentes da Citilog está presente nos túneis da pista descendente da Rodovia dos Imigrantes. Recentemente, no mês de outubro, a concessionária Ecovias implantou o sistema Citilog para detecção automática de incidentes em 16 câmeras ao longo do trecho de concessão.

O sistema será responsável pela detecção de incidentes relacionados a segurança pública, tais como: veículos parados, pedestres na via e detritos em locais pré-definidos pela Polícia Militar Rodoviária. Dessa forma, o sistema de detecção automática de incidentes irá auxiliar a PMR no combate à criminalidade do Sistema Anchieta Imigrantes.

Na Europa, onde todos os túneis com mais de 300 metros obrigatoriamente contam com Detecção Automática de Incidentes, o trabalho dos operadores se tornou muito mais reativo. Com cerca de 50 telas à frente do operador, os alertas gerados pelo sistema garantem a informação necessária para que o profissional estabeleça soluções de imediato.

O mesmo conceito de rodovias inteligentes pode ser adotado no Brasil. A prevenção de acidentes, o atendimento às ocorrências diárias de uma rodovia, como veículos quebrados, pequenos acidentes, pneus furados – passam a ser identificados rapidamente para evitar problemas como a lentidão ou até acidentes de maiores proporções, com um atendimento rápido e adequado nos casos em que os acidentes de fato ocorram.

Nem a melhor das tecnologias poderá evitar acidentes nas rodovias, mas uma gestão inteligente consegue se antecipar a possíveis problemas, diminuir custos de gestão de concessionárias, prestar um serviço de qualidade ao usuário da rodovia e, de fato, diminuir o número de acidentes e o forte impacto que eles ainda provocam nas contas públicas.

*Paulo Santos é gerente de soluções Enterprise da Axis Communications.

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